O Canto como Ato de Adoração

Um crente que canta traz profunda alegria ao coração de Deus. Não existe um capítulo ou versículo específico nas Escrituras que afirme isso explicitamente, mas quando consideramos a soma dos comandos relacionados ao canto e o papel que ele desempenha em tantos momentos cruciais da história redentora, chegamos facilmente à conclusão de que nosso Deus realmente gosta de ouvir o seu povo cantar. É uma alegria genuína para o coração do Pai ouvir seus filhos e filhas cantarem salmos de louvor, hinos de devoção, letras de lamento, melodias de corações renovados. Assim como meu coração transborda ao ouvir meus filhos cantando em casa, o coração do Pai é tocado quando seus filhos cantam para ele em amor e devoção.
O Salmo 96:1–3 servirá como alicerce sólido sobre o qual construiremos:
¹ Cantai ao Senhor um cântico novo; cantai ao Senhor, toda a terra! ² Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia. ³ Proclamai a sua glória entre as nações, as suas maravilhas entre todos os povos!
Um Ato de Adoração
A primeira verdade que encontramos é que o canto é um ato de adoração (Salmo 96:1). Para o cristão, cantar não é meramente cantar, mas algo muito mais profundo. É uma expressão de adoração a Deus. É claro que a adoração vai além do canto, mas ao elevarmos nossas vozes em canção, isso certamente não é menos do que um ato de adoração. Seja cantando a sós, em casa com a família ou numa igreja, nosso canto deve ser visto antes de tudo como uma oferta a Deus.
Nossa canção envolve uma audiência divina. Não uma, não duas, mas três vezes o salmista nos convoca a cantar ao Senhor neste versículo de abertura. Implícita nesta passagem e explícita em outras (Salmo 40:1) está a realidade surpreendente de que o Senhor de toda a Criação se digna a ouvir o nosso canto. Que pensamento profundo — que ele receba nossas canções. Assim, adoramos a Deus não apenas com narrativas e prosa, mas também com música e poesia, melodia e harmonia, ritmo e rima, notas e corações unidos.
Façamos algumas perguntas a esses dois versículos iniciais para destacar aspectos importantes da adoração por meio do canto.
Um Cântico Novo
Primeiramente, exploremos: “Que tipo de canto é invocado?” Note que é um cântico novo. Assim como as misericórdias de Deus são renovadas a cada manhã, cada dia traz novas razões para o louvor.
Este cântico novo é uma “canção fresca em resposta a uma experiência fresca e recém-recebida.” Há algo em cantar textos e melodias de louvor inéditos que nos faz prestar atenção de forma renovada. Expressões vigorosas permitem que nossos corações vivenciem as mesmas verdades imutáveis de maneiras inteiramente novas.
Na época em que esse salmo foi escrito, Davi não poderia ter imaginado como novos cânticos de louvor a Deus se expandiriam nos milênios seguintes — para além das fronteiras de Israel, abrangendo uma diversidade de estilos e gêneros em desenvolvimento: o tambor falante da África Ocidental, o hino solene de Londres, a sitar vibrante do norte da Índia, o canto gaélico dos Salmos nas Hébridas e a guitarra de blues de Muscle Shoals. Assim como as novas misericórdias de Deus nos visitam diariamente, novos cânticos devem ser uma adição bem-vinda aos nossos hinários em constante expansão.
Isso significa que os antigos hinos devem ser guardados no sótão da igreja, nunca mais a serem cantarolados? De forma alguma! Os cânticos antigos também são parte significativa da adoração cristã. Com o mesmo zelo para cantar novos cânticos, cantemos também os antigos. As Escrituras estão repletas de cânticos atemporais que devem ser cantados por todas as gerações. A história da Igreja contém um tesouro de riquezas que devemos continuar a cantar. Os hinos históricos da nossa fé nos lembram que não somos a primeira geração a lutar, orar, lamentar e louvar ao longo da vida. Muitos de nós nos lembramos de canções específicas do passado que nos sustentaram em determinadas estações da vida. Portanto, continuemos a trazer à tona os cânticos antigos enquanto recebemos com alegria os novos.
Um Cântico Congregacional
A próxima pergunta que fazemos a este texto é: “Quem é convocado a cantar?” É aqui que um coral específico entra em cena para elevar suas vozes juntas — uma congregação composta de toda tribo, toda língua e toda nação. Todos os povos da terra são convocados a se unir no coro. Os antigos israelitas teriam entendido essa expressão como uma antecipação do dia em que os gentios se uniriam ao canto de louvor ao Senhor Todo-Poderoso, que é “grande e mui digno de louvor” (96:4), o único Deus verdadeiro a ser “temido acima de todos os deuses” (96:4). É um chamado para que as pessoas abandonem as coisas inúteis que adoraram no passado (96:5) e tragam sua adoração coletiva somente a Deus. Embora o louvor individual tenha seu lugar, o canto aqui convocado não é uma performance solo, mas um cântico congregacional.
Voltaremos a esse pensamento mais adiante, mas por ora deixemos esta pedra rolar no sapato de seus pensamentos: se as Escrituras imaginam as pessoas cantando juntas, até que ponto sua igreja canta unida? Quando você pensa no som da música da sua igreja, você pensa primeiro em guitarras elétricas e baterias, teclados e coral, ou o som de toda a congregação cantando vem à mente? Cada pessoa foi convidada a vir e cantar louvor ao Rei!
Um dos resultados da Reforma foi que o canto congregacional foi devolvido ao povo de Deus. Por muito tempo, os cristãos se reuniam para adorar enquanto um grupo de líderes eclesiásticos cantava o louvor e a congregação simplesmente assistia à apresentação. Os reformadores buscaram devolver a prática do canto à Igreja com canções em sua própria língua, permitindo que o povo participasse novamente da adoração. Se não formos intencionais em nossos dias quanto ao envolvimento de toda a Igreja no canto, temo que possamos regredir a ter profissionais conduzindo a adoração sob os holofotes enquanto a congregação silenciosamente desaparece no escuro. Reconheçamos que os cânticos das Escrituras são, em grande parte, destinados a incluir toda a congregação.
Um Cântico Ordenado
A última pergunta que gostaria de fazer é: “Por que os cristãos cantam?” Percebo que isso pode parecer uma pergunta simples à primeira vista, mas você já parou para pensar nisso? É claro que há inúmeras razões pelas quais os crentes cantam. Cantamos como prática de oração, para expressar emoção, para comunicar de forma criativa — a lista continua. Mas a razão última pela qual os cristãos cantam é porque somos ordenados a fazê-lo. O canto não é uma sugestão divina, mas um mandamento santo do Deus Todo-Poderoso. Contudo, como todas as palavras de Deus, este mandamento não é um fardo que nos oprime, mas uma lei que nos eleva. O mandamento de cantar ao Senhor direciona nossos pensamentos e corações a Deus, reconhecendo que cada membro da Trindade é digno de louvor.
Junto a esse mandamento de cantar ao Senhor, há a admonição de bendizer o seu nome. O canto para o povo de Deus é mais do que fazer melodias e recitar letras. O canto é um ato de adoração pelo qual bendizemos o Senhor. Bendizer o Senhor significa louvá-lo e adorá-lo. Então, como podemos resumir uma resposta à pergunta: por que cantamos como cristãos? Cantamos ao Senhor como um ato de adoração, juntos com o povo de Deus, porque somos ordenados a isso.
Um Mandamento Deleitoso
O canto cristão é uma harmonia de dever e deleite. É um mandamento deleitoso. Deus se deleita em nosso canto, e o canto alimenta o nosso deleite em Deus.
Eu havia me tornado cristão alguns anos antes, mas aos 15 anos o Senhor tocou meu coração com a sua graça de forma tão profunda que a única coisa que sabia fazer em resposta era cantar. Comecei a escrever canções sobre quem Deus é, o que Deus havia feito e o que ele estava fazendo em minha vida. Eu tinha algo para cantar. O amor de Deus faz o coração silencioso cantar.
Quando verdadeiramente desfrutamos de Deus, nossos corações são compelidos a louvá-lo, e no ato do louvor a nossa alegria se completa. C.S. Lewis traçou uma linha direta entre esses temas ao escrever que nos deleitamos em louvar o que amamos porque o louvor não apenas expressa, mas completa o deleite — é o seu consagrado desfecho. Se o seu coração foi refeito, reformado e recalibrado pelo amor de Deus em Cristo, a parte mais profunda de você não pode deixar de cantar em resposta ao que Deus fez.
Pense com cuidado e perceberá que você tem 10.000 razões para elevar sua voz. Ao considerar o privilégio de cantar — o quem, o quê e o porquê de tudo isso — você compreende pelas Escrituras que o canto congregacional é mais do que um arranjo de melodia e letras executado por um grupo de estranhos. O canto congregacional é um ato de adoração oferecido ao Deus Vivo por um grupo de irmãos na fé que participaram juntos em Cristo.
Na próxima vez que um culto começar, procure não enxergar os cânticos como um prelúdio à pregação ou como um aquecimento antes da exposição das Escrituras. Trate o canto com seriedade, como algo que você foi ordenado a fazer diante do Senhor. Una sua voz àqueles ao seu redor com quem você compartilha uma grande salvação. Cante como uma expressão de adoração, com o coração cheio desta mistura de fé e cântico.
Confira Também




